segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

paradoxo

O amor. Mais uma vez e sempre. Por esses tempos estive lendo, não o quanto deveria, mas estive e pude enxergar com palavras coisas que já tinha assimilado nas minhas emoções. O ser humano adora se dizer amando ou amado. Mas como é o amor? É aquele sentimento incandescente? É o “querer mais que bem querer? É um não contentar-se de contente?” Não duvido que exista muito bem-querer por este mundo a fora, e não duvido também das boas intenções. Mas o peso em amar que as pessoas gostam de colocar não é fácil; amor não é um sentimento fácil.


“Viver é muito perigoso... Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal, por principiar. Esses homens! Todos puxavam o mundo para si, para concertar o consertado. Mas cada um só vê e entende as coisas dum seu modo”. [“Grande Sertão: Veredas” – João Guimarães Rosa]


“Disso a mãe se lembrou no banheiro, e abaixou as mãos pensas, cheia de grampos. E considerou a cruel necessidade de amar. Considerou a marginalidade de nosso desejo de ser feliz. Considerou a ferocidade com que queremos brincar. E o número de vezes em mataremos por amor.” [“A Menor Mulher do Mundo” – Clarice Lispector]


Essas palavras... Consigo ver a dificuldade, ou melhor, a complexidade e o porque do meu receio de usar esta palavra. O amor é racional: não o amor, mas exercer o amor. É estar disposto ir contra seus sentimentos primários. Digo isso num tom de descoberta, pois pra mim parece bem surpreendente descobrir que o sentimento mais explorado como irracional é verdadeiramente racional. Agir com amor é agir racionalmente. E muitos podem dizer que isso é quebrar o encanto da magia, eu mesmo adoro uma incandescência de atitudes baseadas em sentimentos, porém ver o amor desta forma deixa-o mais palpável, mais bonito e muito mais nobre do que eu podia suspeitar.

Viva o amor.

4 comentários:

raphamatos disse...

oieeeeeeeeeeeeeeeee
engraçado pq esses dias eu vinha pensando em fazer um posto sobre isso e estava na dúvida entre o post do amor, que seria bem simples, ou um outro sobre sexo, vida e também amor, claro, que é o que decidi fazer...

bem, sobre essa questão do amor eu diria que tb acho extremamente complexo
pq como canta Elis em "Canto de Ossanha": "Amor só é bom se doer".
Cada um tem sua visão do amor mas todos estamos sujeitos às idealizaç~eos que a humanidade criou sobre ele. O amor dói, o amor cuida, o amor dá prazer. Pra existir ele precisa de tudo, ele não é nada sozinho, nem pode ser; não pode ser só positividade, senão ele não te faz crescer...
sim, eu acho q o amor pode ser bem racional mesmo, pq o ser humano criou mtos subterfúgios pra lidar com ele e agir em nome dele

domingo vi o filme "Marley e Eu"
e tem uma frase linda, que é muito verdade (isso quem tem ou jah teve cachorro vai concordar): o cão não liga se vc é rico ou pobre, feio ou bonito, etc, se vc der o seu coração a ele vc terá o dele de volta...

enfim, um assunto extensíssimo este do amor e c mil e umas reverberações

c'est la vie
amemos!

amo vc
bjón

raphamatos disse...

"quelqu'un m'a dit que tu m'aimais encore"

Unknown disse...

"A dificuldade que o amante tem de provar ao outro que o ama; sua insegurança face ao outro, que ele nunca sabe se compreendeu bem seus sentimentos; uma incerteza que está sempre presente no amor. Preciso que me digam todos os dias que me amam, e todos os dias isso é algo novo, jamais é conquistado de maneira definitiva. De uma hora pra outra, o amor pode acabar".
Pedro Almodóvar sobre Ricki, personagem de "Ata-me".

Janis du Folle disse...

Rapha: "O amor só é bom se doer", pois é... bem o que eu quis dizer. O amor dói. Pq dói ser de outra pessoa. Pq qdo vc quer alguma coisa vc vai e faz, agora o problema é quando a coisa que vc quer tem que vir de outra pessoa. Não acredito em amor sem dor.
Qdo vc diz que o amor pode ser racional vc significou que isso é um subterfúgio?

Johnnes: pode ser meio piegas de minha parte, bobisses romanticas, mas eu não acredito que amor acabe. existe sim fases diferentes, caminhos de rios que vão para lados diferentes, mas acho que sempre vai existir... é tipo como um vírus que se adquire: só acontece do virus não estar em atividade na sua corrente sangüinea, mas sempre vc o terá.