Eu não vou mentir. Não está sendo nada fácil ficar longe de casa. Não está fácil continuar acreditando. É o começo. E é sempre difícil no começo.
Estive me perguntando esses tempos se a vida do navio tinha “quebrado” algo dentro de mim, afinal as minimalisses mágicas não tem mais me enchido os olhos d’água como antes. Será que eu deveria ter desistido quando completei aqueles fatídicos 4 meses? Pois seria melhor uma leve sensação de derrota do que a perda das “bolhinhas de refrigerante”. Conversei com algumas pessoas e elas me disseram que é assim mesmo, a medida do tempo as coisas vão perdendo o tom de descoberta e talvez com isso se tornando mais “cinzas”, é o preço que se paga pela segurança. Mas então meu pesadelo seria real: os adultos não acreditam em fadas? ,
Eu acho diferente! Hoje descobri e fiquei muito feliz porque eu não “quebrei” nada no navio, só desenvolvi uma casca; e casacas protegem tanto das coisas ruins quanto das boas e te põe em segurança --> e segurança é cômodo --> e comodidade lembra paz --> e paz traz felicidade. Então a segurança das casacas te dão uma meia-felicidade-garantida, e te deixam com medo de errar e perder esse meio-sentimento-bom. Mas é tão importante assim ser meio-feliz?,
Eu aos 23 anos perdi o medo de errar, porque não tem “errar” quando o que se busca é saber. Fica difícil lembrar disso nos começos, não se vê horizontes e segurança e comodidade passam longe; me esforço pra lembrar que se eu estou me sentindo burra é porque estou aprendendo alguma coisa. Preciso aprender a ter paciência, saber esperar é uma grande virtude... Um dia eu vou conseguir.
Por agora o importante é não deixar de acreditar, me concentrar no começo e passar logo pro meio. E pra terminar, um pensamento de Platão: “...o homem só é feliz se puder desenvolver e utilizar todas as suas capacidades e possibilidades”.
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