segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

começo, começo, começo

a melancolia do limbo do começo
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
cansei de começo... cada vez parece que fica mais difícil.
quero o meio logo, quero respirar.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

UP



Gostei muito do filme... Não é nada dessas animações que fazem você rir horrores, é mais um drama com algumas pinceladas sutis de humor + "muitos balões" para ilustrar assuntos sérios. Me fez pensar bastante na afinidade, de certa forma, contraditória entre idosos e crianças, e em como, a medida que ficamos mais velhos, tendemos a nos atolar em malditas obsessões. As obsessões que proporcionam a falsa segurança de um sentido na vida.
Filme terno, recomendo!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

os entremeios do pós

Estou vivendo uma sensação de pé de rampa, ou pé de ladeira...
É uma certa tristeza conformada no sentido de saber que tudo isso vai mudar muito em breve... Chega a ser quase um limbo, mas não é mais limbo porque eu sei muito bem onde estou, porém estou em baixo, sabendo que vou subir. Não rola desespero. Acho que gosto um pouquinho de sofrimento... Não. Gosto da expectativa. Sei que essa felicidade por prévia de felicidade transforma a tristeza em melancolia. Nossa que bagunça.... é isso.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

perto de seu aniversário

Janis du Folle olhava para si mesma com aquela expressão ressaquiada, não conseguia sentir nada específicamente naquele momento. Só a sensação de cérebro cozido. Pondeirou mais uma vez suas atitudes e decidiu continuar deixando o fluxo decidir qual seria a estória que iria escrever; a bexiga cheia cortava-lhe um pouco da concentração, mesmo assim contiava a vomitar no papel, gostava da objetividade com que combinava as palavras quando era atingida por esse semi-estado de limbo, era quase como um clarão literário, ia pra superfície da realidade e com clareza conseguia se expressar.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

leoninisses?

Janis du Folle aproveitava o ensejo para se despir das contraditoriedades presentes. O seu amor racional estava em vigor. O amor por si mesma acima de tudo estava em vigor; e este era seu "super-trunfo". Talvez sua melhor qualidade.

domingo, 22 de março de 2009

frase de efeito

A nossa visão/impressão de mundo nada mais é do que um reflexo de nós mesmos.

terça-feira, 17 de março de 2009

fragmento - I

Janis e Lisa encontraram-se em uma quinta-feira qualquer, e sem muitas explicações se reconheceram a primeira vista.

16 de Março 2009 –
Já tinha um mês que Janis tinha se mudado para aquela cidadezinha para pensar na vida; sentia-se diferente e excêntrica exatamente como em São Paulo ou qualquer outro lugar, ao contrário do que tinha suspeitado à princípio, não houveram baques maiores simplesmente por estar morando em uma cidade minúscula. A não ser, é claro, pelo fato de sua dinâmica de diálogo não ser muito eficaz naquele meio, mas com isso Janis já estava acostumada.

Lisa chegou ao “Paraíso dos Grelhados” e juntas foram à praça. Tinham 2 aniversários acontecendo ao mesmo tempo na cidade e tinham sido convidadas para ambos, porém optaram por apenas 15 minutos em cada, o suficiente para uma cerveja, e depois novamente o “Paraíso dos Grelhados”.

Por lá andavam todos os tipos, era um bar muito popular pois na cidade era o que fechava mais tarde e o dono tinha amizade com todos. Lisa já conhecia o ambiente há muito tempo; Janis tinha alguns dias e uns bons tostões gastos por lá – simpatizou com o lugar pois uma vez que não tinha telefone, aquele era um ponto fixo para encontrar as pessoas, era só ficar por ali que sempre aparecia alguém hora ou outra. Aquelas alturas ela já sentia falta de alguma rotina com as mesmas pessoas.

Lisa não parecia ser dali. Lisa não era dali. Lisa tinha um “que” de Janis. Quer dizer, em algum ponto da personalidade eram a mesma pessoa; fez Janis recordar-se dela mesma; fez Janis ter uma brecha de ser ela mesma. Ela se sentiu existindo novamente e percebeu o quão maluca é a realidade, pois percebeu que só pode ser Janis se outra pessoa de seu cotidiano souber quem ela é; não que a essência vá deixar de existir, mas é que ela não vai ser exercida plenamente. Janis só podia ser livre com a compreensão das outras pessoas, porque a compreensão destas refletia na compreensão dela mesma; raciocinou mais fundo e percebeu que até o amor por ela mesma poderia ser fruto desse reflexo...

Ficou tonta.

Lisa veio com uma cerveja na mão e disse que Bob e Louis estavam esperando do outro lado da esquina para irem comer um cachorro-quente. Janis esqueceu-se do que estava pensando e os seguiu. Estava escuro, tinha chovido um pouco o caminho era barrento. Todos foram como que pisando em ovos. Mas muito infelizmente para os 4, já estava fechado. Contentaram-se com umas bolachinhas doces que Bob tinha guardado para outras circunstâncias.

Subiram no farol, e ficaram com vista para lagoa. Dava pra ver a chuva que tinha passado por ali “castigando” agora o outro vilarejo. Ficaram admirando o milagre da natureza e conversando bobagens, como sobre pit-bulls, saltos surrealistas, jamaicanas, peruanas e holandesas. Até que a chuva se voltou novamente contra eles e veio com toda força para cima do farol, chegava a ser uma cena ridícula pois no farol não haviam janelas, e estava ventando muito. Não tinha como se esconderem. Lisa e Janis usaram o corpo de Bob e Louis como escudo, o que resolvia 60% da situação; Lisa podia sentir que amanhã teria problemas com a garganta. Janis só pensava enxurrada que teriam de atravessar. Bob e Louis terminavam de comer as bolachinhas e reclamavam do frio.

domingo, 15 de março de 2009

kuduro

Wikipédia : Kuduro é um gênero musical e sobretudo um gênero de dança surgida em Angola. Hoje em dia, está também largamente disseminado pelas áreas suburbanas da cidade de Lisboa, Portugal. Também tem se popularizado muito no Brasil ultimamente, já existindo até alguns grupos e bandas de kuduro próprios do Brasil, em especial nos subúrbios das cidades do Rio de Janeiro e de Salvador. É influenciado por outros gêneros como Sungura, Afro Zouk (Kizomba), Semba e Ragga.


Que ressaca bexiguenta da peste.

sábado, 14 de março de 2009

ordem de serviço

ATT.: RECEPÇÃO

*POR ENGANO AS CAMAREIRA PODER TER PEGO UM SHORTE DE BANHO BRANCO DO CH-09, QUE ESTAVA COM AS TOALHA, POR FAVOR PERGUNTA SOBRE O MESMO.
*NÃO COLOCAR PRODUTO NA PISCINA, SI QUISER PODE ASPIRAR.
OBRIGADO
ANTONIO M.


Recado colado no monitor quando eu cheguei hoje cedo.

quinta-feira, 12 de março de 2009

o que será de nós?

Estava a pouco rindo com amigo ao telefone. A quanto tempo isso não acontecia?

Estou longe. Estão separados. Todos. Colei um papel de parede no horizonte, porque imaginar o futuro sem eles seria imaginar o abismo.

O papel de parede diz que fomos felizes para sempre. Eu sinto isso. A única pulga que ronda a parte de traz da minha orelha são as estórias que não consigo entender. Das outras pessoas que se separam e não sabem o porque. Não sabem quando... Quando que as coisas começaram a esvanecer.

Fico pensando, o que será de nós? O que será de nós se não recuperarmos o cotidiano? É eu colei um papel de parede no horizonte.

domingo, 8 de março de 2009

very nice!

"Pois eu digo ao sinhô. O cabra tem de ter amô naquilo que faz. – e bateu a mão na mesa com força.

Pois num ti digo?... Faço meus passei cum gostiu. Tem esses cabra di peia aí que compra o buggy só pensan nu dinhero e faz os passei direitio não. – disse com os olhos estalados.

Ora! – fez uma careta e tomou um gole de cerveja – Pois comigo tem essa não. Podi perguntá pra qualqué um... – levantou o indicador - Qualqué um que faz us meu passei se gostia ou se num gostia! – bateu a mão na mesa mais uma vez.

Ah gostia! Gostia e gostia porque eu gostio mais ainda. E gostia tantchu que num foi hoje mesmo, vô ti dizê, foi hoje mesmo não que uma mulé si mijô de feliz lá nas duna?... – limpou a garganta.

Pois foi! E vô ti dizê... Foi ali pelos lado de Malembá... Já era senhora, tinha 65 70 anu, e arrente andô foi o dia todinho no buggy e ela levantava os braço e falava: 'Very nice! Very nice!'. Ai eu sinti o chero sabe – disse esfregando o polegar no indicador – sinti aquele chero e também me importei não, ela continuava dizendo 'very nice! very nice!'.

O sinhô tinha qui vê o abraço que ela me deu na hora de si dispedi. E foi! Quando as pessoa gostia arrente senti, visse."

quarta-feira, 4 de março de 2009

contextos

E Janis du Folle tinha mais uma vez uma prova cabal de que tudo é possível nessa vida, só é preciso um pouco de paciência. Paciência. Não conseguia tirar esta palavra de sua mente, estaria ela finalmente assumindo para sua vida este conceito?

"-Com o tempo tudo se ajeita." - falou tão baixo que ela mesmo quase não pôde escutar.

Era uma quarta-feita feliz, se não fosse pelos excessos da noite anterior até comemoraria com algumas cervejas. E conseguiria ela não tomar? O calor era implacável, sono não havia e muito menos uma TV para se distrair...

terça-feira, 3 de março de 2009

escravos-de-Jó

Eu queria tanto beber cerveja e brincar de escravos-de-Jó. As vezes tudo é tão simples e tão difícil ao mesmo tempo né?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

trabalho

É como o Rapha me disse: Trabalho tem um sentido pejorativo na sociedade. É ruim trabalhar, o conceito já vem impregnado. Sei lá, eu sai de São Paulo porque aquele módulo de vida não estava me agradando nem um pouco. Precebi que o que me encomodava, não era bem São Paulo (fora o trânsito né gente!), era que eu não queria me enfiar atrás de um balcão com um roupa séria, pra passar 8 horas do meu dia fazendo alguma coisa que não tem relevância nenhuma na minha vida. Isso! Eu não quero mais ter um emprego a parte da minha vida. Eu quero tudo misturado, que seja uma coisa só. Um bom exemplo do que quero dizer é o Rapha, ele trabalha/estuda artes plásticas, no tempo livre dele ele desenha e GOSTA de saber mais sobre, porque não é o "trabalho" dele, artes-plásticas é ele. Sim, ele tem um dom... E eu não acho que só porque eu não sei desenhar uma maçã, eu tenha que me sujeitar ao balcão se o balcão não sou eu. Não é que quero um mar de rosas, só quero que faça sentido. Então, tá combinado ano que vem começo alguma coisa!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

porque começar é do começo

Eu não vou mentir. Não está sendo nada fácil ficar longe de casa. Não está fácil continuar acreditando. É o começo. E é sempre difícil no começo.

Estive me perguntando esses tempos se a vida do navio tinha “quebrado” algo dentro de mim, afinal as minimalisses mágicas não tem mais me enchido os olhos d’água como antes. Será que eu deveria ter desistido quando completei aqueles fatídicos 4 meses? Pois seria melhor uma leve sensação de derrota do que a perda das “bolhinhas de refrigerante”. Conversei com algumas pessoas e elas me disseram que é assim mesmo, a medida do tempo as coisas vão perdendo o tom de descoberta e talvez com isso se tornando mais “cinzas”, é o preço que se paga pela segurança. Mas então meu pesadelo seria real: os adultos não acreditam em fadas? ,

Eu acho diferente! Hoje descobri e fiquei muito feliz porque eu não “quebrei” nada no navio, só desenvolvi uma casca; e casacas protegem tanto das coisas ruins quanto das boas e te põe em segurança --> e segurança é cômodo --> e comodidade lembra paz --> e paz traz felicidade. Então a segurança das casacas te dão uma meia-felicidade-garantida, e te deixam com medo de errar e perder esse meio-sentimento-bom. Mas é tão importante assim ser meio-feliz?,

Eu aos 23 anos perdi o medo de errar, porque não tem “errar” quando o que se busca é saber. Fica difícil lembrar disso nos começos, não se vê horizontes e segurança e comodidade passam longe; me esforço pra lembrar que se eu estou me sentindo burra é porque estou aprendendo alguma coisa. Preciso aprender a ter paciência, saber esperar é uma grande virtude... Um dia eu vou conseguir.

Por agora o importante é não deixar de acreditar, me concentrar no começo e passar logo pro meio. E pra terminar, um pensamento de Platão: “...o homem só é feliz se puder desenvolver e utilizar todas as suas capacidades e possibilidades”.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

o pégasus: primeiras palavras

Nós não estamos na terra nós somos a terra.
Estou lendo "O Mundo de Sofia". "Apesar de ter a sensação de que deveria ter lido esse livro a uns 5 anos atrás tou gostando bastante. Tem me ajudando muito a botar em palavras coisas já sabidas. Veio ai essa primeira frase da sensação do que tanto costumo dizer sobre a viagem do "Pégasus". Frase que resume tudo.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

nota

BASEADO NO ARTIGO 12 NA LEI DO DEVER E DA RECOMPENSA, está suspenso o consumo de alcool por Vivian Vieira e Janis du Folle pelo período de um mês. Tendo como início a data de 19/01/2009.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Vicky Cristina Barcelona



Conclusões:
Descobri o porque não gosto de Woody Allen. Sutileza de um elefante. Não gosto da forma como ele conta a estória, explicando tin-tin por tin-tin, não deixando nenhuma entrelinha, não deixando nunca nada sub-entendido.
Apesar disso “Vicky Cristina Barcelona” é um filme muito bom. Até a metade tem sim a característica que abomino, mas depois o filme cresce, e as coisas vão acontecendo em um ritmo divertido e agradável, me surpreendeu muito; a forma simples de retratar situações não usuais como trivial. E tem também uma contextualização muito boa da cultura espanhola e uma musiquinha suuuper divertida.

Sem contar que estou fã da Penélope Cruz, atriz que para mim atingiu a maturidade. A personagem de Maria Elena é muito bacana porque ela consegue deixar ao público a decisão de ser uma louca digna de manicômio ou de uma mulher normal sem hipocrisias que leva suas emoções a sério. Existe sim o mérito do diretor, porque independente de Maria Elena a interpretação das situações criadas vão de acordo com o repertório de cada um (coisa muito bem observada por meu grande amigo Rapha). Mas deixa eu puxar a sardinha.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

paradoxo

O amor. Mais uma vez e sempre. Por esses tempos estive lendo, não o quanto deveria, mas estive e pude enxergar com palavras coisas que já tinha assimilado nas minhas emoções. O ser humano adora se dizer amando ou amado. Mas como é o amor? É aquele sentimento incandescente? É o “querer mais que bem querer? É um não contentar-se de contente?” Não duvido que exista muito bem-querer por este mundo a fora, e não duvido também das boas intenções. Mas o peso em amar que as pessoas gostam de colocar não é fácil; amor não é um sentimento fácil.


“Viver é muito perigoso... Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal, por principiar. Esses homens! Todos puxavam o mundo para si, para concertar o consertado. Mas cada um só vê e entende as coisas dum seu modo”. [“Grande Sertão: Veredas” – João Guimarães Rosa]


“Disso a mãe se lembrou no banheiro, e abaixou as mãos pensas, cheia de grampos. E considerou a cruel necessidade de amar. Considerou a marginalidade de nosso desejo de ser feliz. Considerou a ferocidade com que queremos brincar. E o número de vezes em mataremos por amor.” [“A Menor Mulher do Mundo” – Clarice Lispector]


Essas palavras... Consigo ver a dificuldade, ou melhor, a complexidade e o porque do meu receio de usar esta palavra. O amor é racional: não o amor, mas exercer o amor. É estar disposto ir contra seus sentimentos primários. Digo isso num tom de descoberta, pois pra mim parece bem surpreendente descobrir que o sentimento mais explorado como irracional é verdadeiramente racional. Agir com amor é agir racionalmente. E muitos podem dizer que isso é quebrar o encanto da magia, eu mesmo adoro uma incandescência de atitudes baseadas em sentimentos, porém ver o amor desta forma deixa-o mais palpável, mais bonito e muito mais nobre do que eu podia suspeitar.

Viva o amor.