Janis e Lisa encontraram-se em uma quinta-feira qualquer, e sem muitas explicações se reconheceram a primeira vista.
16 de Março 2009 –
Já tinha um mês que Janis tinha se mudado para aquela cidadezinha para pensar na vida; sentia-se diferente e excêntrica exatamente como em São Paulo ou qualquer outro lugar, ao contrário do que tinha suspeitado à princípio, não houveram baques maiores simplesmente por estar morando em uma cidade minúscula. A não ser, é claro, pelo fato de sua dinâmica de diálogo não ser muito eficaz naquele meio, mas com isso Janis já estava acostumada.
Lisa chegou ao “Paraíso dos Grelhados” e juntas foram à praça. Tinham 2 aniversários acontecendo ao mesmo tempo na cidade e tinham sido convidadas para ambos, porém optaram por apenas 15 minutos em cada, o suficiente para uma cerveja, e depois novamente o “Paraíso dos Grelhados”.
Por lá andavam todos os tipos, era um bar muito popular pois na cidade era o que fechava mais tarde e o dono tinha amizade com todos. Lisa já conhecia o ambiente há muito tempo; Janis tinha alguns dias e uns bons tostões gastos por lá – simpatizou com o lugar pois uma vez que não tinha telefone, aquele era um ponto fixo para encontrar as pessoas, era só ficar por ali que sempre aparecia alguém hora ou outra. Aquelas alturas ela já sentia falta de alguma rotina com as mesmas pessoas.
Lisa não parecia ser dali. Lisa não era dali. Lisa tinha um “que” de Janis. Quer dizer, em algum ponto da personalidade eram a mesma pessoa; fez Janis recordar-se dela mesma; fez Janis ter uma brecha de ser ela mesma. Ela se sentiu existindo novamente e percebeu o quão maluca é a realidade, pois percebeu que só pode ser Janis se outra pessoa de seu cotidiano souber quem ela é; não que a essência vá deixar de existir, mas é que ela não vai ser exercida plenamente. Janis só podia ser livre com a compreensão das outras pessoas, porque a compreensão destas refletia na compreensão dela mesma; raciocinou mais fundo e percebeu que até o amor por ela mesma poderia ser fruto desse reflexo...
Ficou tonta.
Lisa veio com uma cerveja na mão e disse que Bob e Louis estavam esperando do outro lado da esquina para irem comer um cachorro-quente. Janis esqueceu-se do que estava pensando e os seguiu. Estava escuro, tinha chovido um pouco o caminho era barrento. Todos foram como que pisando em ovos. Mas muito infelizmente para os 4, já estava fechado. Contentaram-se com umas bolachinhas doces que Bob tinha guardado para outras circunstâncias.
Subiram no farol, e ficaram com vista para lagoa. Dava pra ver a chuva que tinha passado por ali “castigando” agora o outro vilarejo. Ficaram admirando o milagre da natureza e conversando bobagens, como sobre pit-bulls, saltos surrealistas, jamaicanas, peruanas e holandesas. Até que a chuva se voltou novamente contra eles e veio com toda força para cima do farol, chegava a ser uma cena ridícula pois no farol não haviam janelas, e estava ventando muito. Não tinha como se esconderem. Lisa e Janis usaram o corpo de Bob e Louis como escudo, o que resolvia 60% da situação; Lisa podia sentir que amanhã teria problemas com a garganta. Janis só pensava enxurrada que teriam de atravessar. Bob e Louis terminavam de comer as bolachinhas e reclamavam do frio.
4 comentários:
Também fico tonto com o quanto a nossa capacidade de se expressar depende DA RECEPTIVIDADE DAS OUTRAS PESSOAS. Nesse sentido, namorar sério uma pessoa que não combinava comigo foi o momento mais destrutivo para a minha personalidade. Cuidado.
nossa que comentário preocupante, gostaria de conversar mais sobre.
Digo novamente...
morro em ponta de faca....comentário realmente preocupante...
e respondam meu email porra! rs
achei q este comentário fosse do nosso Dan...da Sheila...rs
Bem, esqueçam então..
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